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Em evento da CNA realizado em Marabá, Salame volta a defender a criação do Estado do Carajás
O prefeito João Salame Neto participou, na manhã da última sexta-feira (26), no Parque de Exposições de Marabá, do “CNA em Campo”, evento realizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em conjunto com a Federação da Agricultura do Estado Pará (Faepa) e Sindicato Rural de Marabá (ProRural).
O evento, que reuniu mais de 200 pecuaristas de Marabá e de cidades da região, teve por objetivo viabilizar a discussão de diversos temas que interessam o setor produtivo, entre os quais as novidades introduzidas pelo Novo Código Florestal, a questão fundiária e a insegurança jurídica no campo, além de assuntos mais técnicos como logística portuária e o Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014.
A importância de Marabá ficou demonstrada através da presença de Kátia Abreu, presidente da CNA e senadora pelo Estado do Tocantins. Ao abrir o evento, Kátia não poupou críticas ao Governo do Pará. Os pecuaristas estão insatisfeitos com as dificuldades encontradas para dar cumprimento aos mais de 300 mandados de reintegração de posse já expedidos pela Justiça paraense.
Kátia Abreu criticou a demora na titulação de terras, as invasões e a inoperância do Governo do Pará. “ São cerca de 1.500 propriedades invadidas e mais de 300 mandados que esperam cumprimento. Se (o Estado do Pará) não tem condições de cumprir, estamos prontos para ir ao Governo Federal e articular até mesmo o Exército para que dê suporte a estas ações. Da forma que está, vivemos um clima de total insegurança jurídica”, afirmou a senadora.
Logo após o pronunciamento da senadora, foi a vez de João Salame fazer uso da palavra. O prefeito de Marabá frisou as dificuldades que qualquer empreendedor enfrenta para atuar no Pará.
“Ser empreendedor no Pará é tarefa de alto risco. Além de termos impostos elevados, uma das tarifas de energia elétrica mais onerosas do País e problemas até mesmo com abastecimento de água, nossas estradas estão intrafegáveis, não há incentivos fiscais e muitos menos a regularização fundiária, o que poderia impedir conflitos no campo?”, questionou Salame.
Salame lembrou que em 2011, todos esses problemas foram mostrados e justificaram a luta pela criação do Estado do Carajás.
“A luta pelo Estado do Carajás não pode parar jamais. Precisamos da presença de um estado que nos ajude a continuar desenvolvendo esta região, algo que o Estado do Pará não consegue fazer. Vamos continuar lutando para criar o Estado do Carajás, nosso melhor projeto de desenvolvimento, finalizou o prefeito.
Logo após a abertura oficial do evento, a senadora Kátia Abreu concedeu entrevista coletiva aos órgãos de imprensa e como sempre, não evitou temas polêmicos.
Garantiu que pretende conversar com os senadores paraenses sobre o problema do cumprimento dos mandados de reintegração de posse e apesar de seu partido, o PSD, integrar a base de apoio do governador Simão Jatene, não descartou a possibilidade de pedir a intervenção federal no Pará.
- Aí não tem governo amigo. Governo amigo é aquele que cumpre as determinações judiciais. Vamos conversar, mas não havendo cumprimento, vamos sim pedir a intervenção federal no Pará.
Kátia avaliou como positiva a aprovação do Novo Código Florestal que, segundo ela, representa a “carta de alforria” dos produtores em relação à “ditadura” das organizações ambientalistas. Sobre a ocorrência de trabalho escravo, alvo de uma CPI encerrada sem relatório final, a senadora creditou isso à legislação imprecisa que regulamenta a matéria.
- É preciso que tenhamos uma legislação que explicite e discrimine de forma clara o que vem a ser “trabalho escravo”. Da forma que hoje está, é impossível que injustiças não sejam cometidas.
O evento encerrou no final da tarde, após a palestra da própria Kátia Abreu na qual abordou os desafios do agronegócio no Brasil e no mundo.
Fonte: Portal PMM
Eleições na Amat: “Não podia me omitir”
João Salame Neto – Prefeito de Marabá
Nesta sexta-feira aconteceu a eleição para a presidência da Associação dos Municípios do Araguaia e Tocantins (Amat). Essa entidade surgiu com forte compromisso com a criação do Estado de Carajás.
Não era minha intenção participar desta eleição, pois tenho grandes desafios a enfrentar diante do caos que recebi a prefeitura de Marabá. No entanto, participar passou a ser importante diante da conformação da única chapa que existia, encabeçada pelo prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira. Decidi apresentar meu nome para que uma verdadeira farsa não fosse consumada sem nenhuma reação.
O prefeito de Tucuruí não moveu uma palha na luta pela criação do Estado de Carajás. Não participou de um comício, de uma reunião sequer. Nem mesmo no seu município. Não por acaso foi justamente em Tucuruí que tivemos a menor votação no plebiscito. Cerca de 66% dos votos, contra mais de 95% na maioria dos municípios da região.
Não seria justo que exatamente esse prefeito se tornasse presidente da Amat, que tem no seu estatuto a luta pela criação do Estado de Carajás como prioridade.
Mais grave ainda é que sua candidatura passou a ser articulada diretamente pelo governo do estado, que liberou secretários para montar acampamento em Marabá oferecendo asfalto para os prefeitos votarem na sua chapa. Vários prefeitos confessaram este fato. Um outro chegou a dizer que sua fazenda foi invadida e se não votasse no candidato do Governo, a polícia não iria retirar os ocupantes de sua propriedade.
Esses fatos revelam que a Amat perdeu importância. Deixou de unir os prefeitos para lutar pelo Carajás, pela hidrovia do Araguaia Tocantins, pela pavimentação de nossas estradas, pra se impor diante do Governo do Estado e exigir tratamento igual ao que é dado à prefeitura de Belém. Só na data da eleição da Amat ela volta a ter alguma importância como moeda de troca para migalhas, para promessas na maioria das vezes não cumpridas.
Tinha a obrigação de trazer esses fatos ao povo de Marabá, pois a Amat recebe quase R$ 20 mil por mês do nosso município. Ou quase R$ 1 milhão de reais em quatro anos de governo. Dinheiro que faz falta na solução dos graves problemas por que passa Marabá. Sobretudo para alimentar uma entidade cuja maioria dos seus membros perdeu qualquer perspectiva de ação coletiva, abandonou qualquer compromisso com a luta maior do povo de Carajás.
Disputei para não compactuar com isso. Infelizmente, como a votação é secreta, não temos como revelar os nomes dos 10 prefeitos que nos prestigiaram com o seu voto. Que resistiram a todo tipo de pressão. A esses meu mais profundo agradecimento. Ao povo de Marabá, a quem verdadeiramente devo obrigações, a certeza de que valorizaremos cada centavo que entra nos cofres da prefeitura, impedindo que esse dinheiro seja usado para financiar atividades que vão contra a luta histórica de nosso povo pela criação do estado de Carajás.
Memorial pela criação do Estado Carajás será lançado hoje em Marabá
Ulisses Pompeu – de Marabá
A Câmara Municipal de Marabá, atendendo a uma solicitação da Comissão Brandão Pró-Emancipação, realiza hoje, terça-feira, dia 11, uma Sessão Solene de lançamento do Marco Memorial pela Criação do Estado de Carajás, como símbolo permanente da luta pela emancipação político-administrativa dos Estados do Carajás e Tapajós.
A mesma cerimônia será realizada também hoje em vários municípios desta região. Hoje, dia 11, completa um ano da realização do Plebiscito que mobilizou todo o Estado do Pará pela criação do Carajás e Tapajós.
Na pauta do evento de hoje, haverá abertura da Sessão Solene pela Mesa Diretora da Câmara Municipal. Depois, será feita uma retrospectiva da luta pela criação dos Estados de Carajás e Tapajós, seguida por uma análise do que aconteceu após o Plebiscito, a ação rescisória e o PLIP (Projeto de Lei de Iniciativa Popular), que será apresentado por membros da Comissão Brandão.
Ouvido pela Reportagem do blog, o prefeito eleito de Marabá, João Salame Neto, avaliou um ano da realização do Plebiscito. No entendimento dele, apesar de o resultado não ter sido o esperado nas urnas, a bandeira de luta não foi arriada e não apenas as lideranças políticas continuam ativas em prol da criação dos dois estados, como a própria população continua pedindo a que o Carajás se torne uma realidade.
Instado a fazer uma avaliação se alguma coisa mudou para melhor nesta região após um ano da realização do plebiscito, João Salame opina que não. Para ele, o Estado não se fez mais presente e o abismo entre a região metropolitana de Belém e a de Carajás continua um abismo que só aumenta de tamanho. Ele relembra um empréstimo recente contraído pelo governo do Estado em que a fatia que beneficiará Belém e adjacências é superior a 80%, enquanto para esta região não ficou quase nada.
O prefeito eleito de Marabá acredita que os gestores regionais precisam se unir para que os anseios coletivos sejam apresentados de forma coletiva para os governos estadual e federal, para que as cobranças tenham mais força. “Mas nada disso pode paralisar nossa luta pela criação do Estado do Carajás”, sintetiza.
Eleições 2012: confira quais foram os prefeitos eleitos na região do Carajás
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Munícipio |
Prefeito Eleito |
Partido |
Vice |
| Abel Figueiredo | Adeilson Mateus |
PSDB |
Lindiane Brasil |
| Água Azul do Norte | Deusmir |
PT |
Netinho |
| Anapú | Batista |
PSDB |
Maninho dos Reis |
| Bannach | Valber |
PSB |
José Antônio |
| Bom Jesus do TO | Dr. Sidney |
PT |
Idalia Leal |
| Brejo Grande do Araguaia | Baxim |
PMDB |
Antônio Professor |
| Breu Branco | Adimilson Mezzomo |
PSDB |
Chico Cabeça Branca |
| Canaã dos Carajás | Jeová Andrade |
PMDB |
Alexandre do PT |
| Conceição do Araguaia | Walter Peixoto |
PT |
Zilma Souza |
| Cumaru do Norte | Cleusa Temponi |
PMDB |
Ademilson |
| Curionópolis | Wenderson Chamon |
PMDB |
Ir. Iraíldes |
| Dom Eliseu | Joaquim Nogueira Neto |
PMDB |
Silon |
| Eldorado dos Carajás | Divino do Posto |
PPS |
França do PSD |
| Floresta do Araguaia | Alsério Kazimirski |
PSC |
Pastor Benedito |
| Goianésia | Russo |
PR |
Tonhão |
| Itupiranga | Benjamim |
PT |
José Milese |
| Jacundá | Dino |
PT |
Itonir da Acredilar |
| Marabá | João Salame |
PPS |
Luiz Carlos |
| Nova Ipixuna | Tião Damascena |
PTB |
Jenerias |
| Novo Repartimento | Valmira |
PR |
Pedrão do PT |
| Ourilândia do Norte | Maguila |
PSC |
Ângela |
| Pacajá | Tonico Doido |
PSB |
Ronaldo Chapéu |
| Palestina do Norte | Maria Ribeiro |
PSDB |
Liduína |
| Parauapebas | Valmir da Integral |
PSD |
Ângela |
| Pau D’Arco | Mauricio Cavalcante |
PMDB |
Berg do PT |
| Piçarra | Wagner Machado |
PMDB |
Nilza Soares |
| Redenção | Vanderlei Coimbra |
PRP |
Javé |
| Rio Maria | Waltinho do Ouro |
PSB |
Paulinho |
| Rondon do Pará | Cristina Malcher |
PSDB |
Pedrinho do gás |
| Sta. Maria das Barreiras | Muçum |
PMDB |
Raimundo Capivara |
| Santana do Araguaia | Eduardo da Machado |
PMDB |
Zé do Quinca |
| São Domingos do Araguaia | Pedro Paraná |
PPS |
Roberto do Matheus |
| São Félix do Xingu | João Cleber |
PPS |
Cleide Capanema |
| São Geraldo do Araguaia | Jorge Barros |
PMDB |
Leandro de Sá |
| São João do Araguaia | João Neto |
PTB |
Isa |
| Sapucaia | Marquinhos |
PSDB |
Fabinho da Lotérica |
| Tucumã | Adelar Pelegrini |
PMDB |
Dr. Wanderley |
| Tucuruí | Sancler |
PPS |
Nilda |
| Xinguara | Osvaldinho |
PMDB |
Raimundo do Mototaxi |
Resumo dos prefeitos eleitos por partido
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Quantidade de prefeitos eleitos |
Partido |
| 12 | |
| 6 | |
| 5 | |
| 3 | |
| 2 | |
| 1 |
Fonte: TSE
Carajás virou embate nos primeiros programas de TV em Marabá
Por Ulisses Pompeu – de Marabá
Mesmo antes de iniciar a campanha eleitoral em Marabá, já havia prenúncio de que João Salame (PPS) e Maurino Magalhães (PR) iriam engatilhar seus discursos contra Tião Miranda (PTB) na mesma direção: Carajás. Ambos tentavam emplacar a imagem em Tião como o “candidato do não”. Quando a propaganda começou na TV e no rádio, no dia 21 de agosto, este cenário ficou comprovado e os dois candidatos que estavam em segundo e terceiro lugar nas pesquisas (João e Maurino), passaram a alfinetar Tião direta e indiretamente e argumentar que ele é o candidato do “não”, pois é apoiado pelo governador, que havia se posicionado contra a criação do Estado do Carajás.
Duas semanas após a propaganda na TV e rádio iniciar, Tião tirou da cartola um programa inteiro em que mostrou sua participação na luta pela criação do Estado do Carajás e na campanha do Plebiscito. O programa do Horário Eleitoral Gratuito apresentou, inclusive, depoimentos de três deputados estaduais – Martinho Carmona, Celso Sabino e próprio João Salame – os quais reconheceram que Tião teve participação destacada na campanha pela criação do Estado de Carajás.
A coligação do deputado João Salame, que concorre à Prefeitura de Marabá, ingressou na Justiça Eleitoral na última sexta-feira, 31 de agosto, alegando que o programa de Tião estaria usando sua imagem indevidamente e pediu ao juiz da 100ª Zona Eleitoral de Marabá, Eduardo Antônio Martins Teixeira, que determinasse a retirada de sua imagem e também dos outros dois deputados estaduais, Martinho Carmona e Celso Sabino.
O magistrado, ao analisar a petição, segundo Glênio de Souza, chefe do Cartório Eleitoral da 100ª ZE, indeferiu o pedido da coligação de João Salame. “A legislação diz que é proibida a montagem, a trucagem, mas neste caso parece estar tudo contextualizado”, explica Glênio.
Depois da exibição do programa de Tião Miranda, nem João Salame nem Maurino voltaram a tocar no assunto Carajás no Horário Eleitoral Gratuito. Resta saber até quando será a trégua.
Ontem, a reportagem conversou sobre o assunto com o deputado João Salame, para saber se ele vai continuar enfocando a não participação de Tião na causa de Carajás ou se considera o assunto vencido. Ele argumentou que não, pois avalia que “Tião participou da luta no início da campanha Pró-Carajás e depois se ausentou. Quem tem de se explicar é ele, eu participei do início ao fim da campanha”, sintetizou.
Maurino não foi encontrado para comentar a discussão sobre Carajás na campanha eleitoral.
Deputado João Salame não é mais o vice-líder do governo na ALEPA
O deputado estadual João Salame Neto (PPS) protocolou ofício na última quinta-feira (22) no Gabinete do governador do Estado do Pará, Simão Jatene, entregando a vice-liderança do governo da Assembleia Legislativa do Pará, assim como colocou à disposição alguns cargos por ele indicados na estrutura de governo em Marabá.
A decisão do deputado João Salame se deve ao fato do governador ter se colocado de forma muito contundente em favor do NÃO no plebiscito recentemente realizado para decidir sobre a divisão do Pará. Tal fato gerou atritos políticos da Frente do SIM com Simão Jatene, que se posicionou contra o sonho de carajaenses e tapajônicos. Para Salame, diante desse contexto seria incoerente permanecer como vice-líder do Governo.
João Salame é natural de Marabá. Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás e com cursos de especialização em Filosofia e Economia Política foi eleito para a Assembleia Legislativa do Pará em 2006 onde ocupou a primeira vice-presidência da Casa. Como publicitário, João Salame coordenou as campanhas dos quatro últimos prefeitos eleitos de Marabá (Haroldo Bezerra, Geraldo Veloso (duas vezes) e Tião Miranda). Há 12 anos fundou o Jornal Opinião, em Marabá.
A carta ao Governador:
IPEA apresenta estudo sobre a divisão do Pará
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta terça-feira, dia 20, o Comunicado do Ipea n° 125 – Divisões Estaduais: Aspectos Relevantes de Pesquisa e a Experiência do Plebiscito no Pará. O estudo reúne a avaliação dos efeitos da possível criação dos estados de Carajás e Tapajós, a partir do estado do Pará, caso o plebiscito realizado tivesse como resultado a divisão deste.
O diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), Francisco de Assis Costa, explicou que a pesquisa contou com a mobilização dos técnicos da Dirur e da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest), e ainda a colaboração do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (IDESP) e da Universidade Federal do Pará (UFPA). “O estudo é um ponto de partida para a realização de uma grande pesquisa sobre a busca de separação em diversos estados da Federação. Há 14 proposições para criação de novos estados em tramitação no Congresso Nacional”, afirmou.
O técnico de Planejamento e Pesquisa Paulo de Tarso alertou que o debate não deve focar somente as questões administrativas (os custos, ou a efetividade das ações mais ou menos descentralizadas). “A discussão ficou muito concentrada na viabilidade econômica dos novos estados; um importante aspecto, mas longe de abarcar a profundidade da criação de um novo ente com poderes e responsabilidades. Das 180 nações, o Brasil é uma das 28 que se organiza na forma de federação, com uma dinâmica própria e diferente do arranjo dos estados unitários.”
O Comunicado também levanta possíveis fatores que impulsionam a criação de um novo estado como uma solução para as diferenças culturais significativas, a conquista de maiores espaços de poder por determinadas lideranças políticas, o baixo aproveitamento de votos nas regiões que querem se emancipar. O estudo indica que só um terço dos votos dados pelos cidadãos do Carajás aos deputados estaduais significou um político eleito. Foram aproveitados 45% dos votos dos cidadãos do Pará e 59% dos cidadãos de Tapajós.
Dinâmica federativa
Do ponto de vista da dinâmica federativa brasileira, Paulo ressaltou duas dimensões: a coordenação entre os entes da federação, em que uma possível divisão do estado dificultaria a formação de consórcios públicos; e a desproporção entre as bancadas dos Estados na Câmara dos Deputados, com uma redução da bancada de outras regiões. Analisando as receitas e despesas, o Comunicado apontou um déficit de 3.673 bilhões de reais, somando as estimativas de déficits nos três estados criados (Carajás com um déficit de -1.934, Pará, -719, e Tapajós, -1.020).
Ao final, o diretor Francisco afirmou que é preciso mensurar o efeito das divisões estaduais no desenvolvimento econômico local. Os casos mais citados nesse aspecto, Tocantins e Mato Grosso do Sul, devem ser estudados mais a fundo para determinar o seu impacto nas dinâmicas econômicas locais. “Além do crescimento, deve-se avaliar a evolução do desenvolvimento econômico gerado nas regiões separadas, a distribuição dos gastos estaduais pelo seu território e a demografia e da identidade das regiões pleiteantes às secessões”, concluiu.
Passado o plebiscito no Pará, IPEA publica estudo atualizado sobre a criação de Carajás e Tapajós
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avaliou os efeitos da criação dos estados de Carajás e Tapajós, a partir do estado do Pará. Os impactos da divisão do estado em três unidades federativas foram analisados sobre a perspectiva socioeconômica, política e de finanças publicas. Os resultados dessa avaliação estão reunidos no Comunicado do Ipea n° 125 – Divisões Estaduais: Aspectos Relevantes de Pesquisa e a Experiência do Plebiscito no Pará.
O estudo será divulgado nesta terça-feira, dia 20, às 14h30, no auditório da sede do Ipea, em Brasília. A coletiva pública terá transmissão ao vivo pelo portal do Instituto (www.ipea.gov.br). Apresentarão o Comunicado o diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), Francisco de Assis Costa, e os técnicos de Planejamento e Pesquisa Rogério Boueri e Paulo de Tarso.
Nos aspectos socioeconômicos analisados com a divisão do Pará, é feita uma simulação da população, área, densidade demográfica e o PIB de cada novo estado. Sob a análise política, o estudo traz elementos que podem estar impulsionando o movimento separatista, aponta possíveis tensões dentro dos interesses dos atores presentes, bem como identifica consequências de uma possível divisão do Estado do Pará no que se refere à representação das novas unidades.
Com base nos dados do Censo de 2010, foi realizada uma estimativa do número de deputados federais após a criação dos Estados de Carajás e Tapajós. O Comunicado também apresenta o montante de gastos anuais necessários para a condução das máquinas estaduais destes governos a serem criados e a viabilidade econômica dos novos estados, apontando estimativas da receita, despesa e déficit. Ao final, o estudo enumera outros aspectos possíveis de análise que complementem as avaliações realizadas.
Criação de Carajás: apuração final por município

Confira o resultado final da apuração do plebiscito de 11 de dezembro por município no Estado do Pará para a criação do Estado do Carajás clicando na imagem acima ou aqui.
Plebiscito: o Pará disse Não
Maioria dos paraenses rejeitou a criação de novas unidades da Federação e manteve governo unido e sediado em Belém. Grande parte da população das regiões separatistas votou maciçamente pela divisão no plebiscito ocorrido ontem aqui no Pará. O evento serviu para mostrar que as divisões pleiteadas não eram desejo apenas de meia dúzia de políticos oportunistas. Serviu também para que toda a população tivesse condições de ver que a insatisfação pela política centralizadora do governo do Pará não é somente nas regiões separatistas.
O governador Simão Jatene, em pronunciamento logo após o encerramento da votação de domingo, afirmou que o Estado não tem condições financeiras para atender a demanda da população por uma saúde melhor, por uma melhor segurança, por melhor educação. Jatene propôs um novo pacto federativo. “Temos enormes dificuldades, mas não tenho dúvida que o único caminho é nos unirmos para superar os inúmeros desafios. Não dá para aceitar que neste país, os recursos naturais beneficiem as empresas e não se tornem em benefícios para seu povo. O sistema fiscal brasileiro é extremamente perverso com o Estado do Pará”, criticou Jatene.







